You are here
Cinema Críticas 

Crítica: Star Wars – O Despertar da Força | Neurônio Nerd

“Chewie, nós estamos em casa”, diz Han Solo em certo momento de O Despertar da Força, e essa frase se encaixa perfeitamente aos sentimentos do público ao rever Star Wars no cinemas.

Depois dos famigerados prequels dirigidos por George Lucas (aquele cara muito criativo mas que infelizmente não sabe dirigir atores), ninguém imaginava que Star Wars voltaria aos cinemas tão cedo. Mas eis que em 2012 surge um fato novo e inesperado: a poderosa Walt Disney compra a Lucas Film e junto dela os direitos sobre Star Wars, anunciando que haveria um Episódio VII.

As promessas se cumpriram, e aqui estamos com Star Wars: O Despertar da Força, o Episódio VII da franquia que há quase 40 anos conquista uma legião de fãs fiéis. A responsabilidade sem dúvidas era gigantesca, e para a missão foi chamado o diretor J.J. Abrams (o J.J. significa Jeffrey Jacob, para os que tanto me perguntaram!). O diretor, até então, estava no comando de outra franquia espacial: Star Trek, o qual ele também foi responsável por revitalizar para uma nova geração de fãs.

Star-Wars-O-Despertar-da-Força-rEY-E-fINN

É sem dúvidas emocionante, ver na telona o título de STAR WARS surgindo ao som da sua inconfundível música, e então a cartela de texto subindo, nos contextualizando o momento em que trama se passará e os fatos que a levaram até isso: Luke Skywalker se encontra desaparecido. Após a queda do Império, surgiu a sinistra Primeira Ordem, que decide dar continuidade aos planos de controle da Galáxia. Eles constroem uma nova super arma, uma nova Estrela da Morte, e a chamam de Starkiller, e com isso pretendem aniquilar a Resistência, a Nova República e retomar o poder. Diante disso, a General Leia envia Poe Dameron, o melhor piloto da Resistência, para buscar um mapa que pode apontar localização de Luke, o último Jedi. E é então que a merda toda acontece.

O filme começa de maneira eletrizante, apresentando Dameron, Finn e Kylo Ren, o vilão do filme. E aliás, a apresentação de Kylo Ren não poderia ser melhor, pois o que vemos é um comandante imponente e cruel, e também realmente poderoso, controlando com maestria a Força. Ah, e não podemos nos esquecer de BB-8, o dróide bolinha de Poe Dameron, que esbanja simpatia; quem não saiu do cinema querendo ter um BB-8 em casa!?

KYLO REN 1

Mas então finalmente chegamos até Rey, a protagonista do filme, e que sensacional surpresa é Daisy Ridley! Este é apenas o primeiro filme da atriz, mas ela apresenta uma segurança incrível com sua personagem. Rey é forte, corajosa e muito habilidosa; fruto de anos vivendo solitária no deserto do planeta Jakku, e lutando dia após dia para sobreviver, agindo como uma catadora de sucata e por isso mesmo conhecendo cada peça e função das mais diversas naves da galáxia (o que explica muito bem suas habilidades com pilotagem).

Sem dúvidas, O Despertar da Força segue os mesmo passos de Star Wars: Uma Nova Esperança. Lá estão todos os elementos: Herói vindo de um planeta desértico, um arquivo importante escondido num dróide, um vilão mascarado com voz modulada, uma estrela da morte, um trio de protagonistas e… Han Solo! Muitos reclamaram disso (não do Han Solo, claro) e fica claro a intenção da Disney em apresentar a franquia para um novo público, respeitando características dos primeiros filmes. Trouxe então o plot do episódio IV, que se mantém semelhante até certo ponto, quando então ganha cara própria. E isso indica que nos próximos episódios seremos apresentados a histórias que podem largar um pouco a estrutura narrativa dos filmes anteriores.

REY E FINN

Mas de qualquer forma, é seguro afirmar que Star Wars: O Despertar da Força é um dos melhores filmes de toda franquia, e o mais bem dirigido. J.J. Abrams possui um controle muito grande da ação e de cada plano do filme, apresentando de uma forma clara toda a movimentação e diversos elementos do universo Star Wars, sem necessitar em vários momentos de um diálogo sequer. Um exemplo é quando acompanhamos um pouco do dia-a-dia de Rey, e facilmente compreendemos como funciona a estrutura social em Jakku, qual é o papel da garota nela e conhecemos um pouco de sua personalidade e seus sentimentos de solidão. E muito disso apenas com planos e movimentos de câmera exatos, que contam uma história sem necessitar de mais explicações.

A parte técnica do filme é irretocável, e também dera! Não se podia esperar menos que isso de uma produção tão cara e tão importante. O uso de efeitos visuais mesclados com efeitos práticos, com robôs e maquiagem, volta a criar uma realidade que havia se perdido na super sopa digital dos Episódios I,II e III. Gravar em um deserto de verdade e construir cenários reais contribuem e muito com a ambientação, que lembra bastante os episódios IV,V e VI. A trilha sonora de John Williams é sem dúvidas emocionante, embora ele dessa vez não tenha criado nada novo que seja tão marcante quanto as músicas dos originais.

CHEWIE E HAN SOLO

A narrativa desse filme ainda pareceu engatinhar, em termos de arco narrativo, e O Despertar da Força acaba tendo, no fim das contas, esse aspecto introdutório em relação aos seus personagens e suas tramas. O Supremo Líder Snoke possui muitas lacunas, e o próprio Kylo Ren ainda está construindo sua personalidade; de modo que com a máscara se revela um vilão imponente, mas sem a máscara se revela apenas um jovem revoltado e perdido entre suas convicções. E o que ele faz ao fim do filme, certamente vai ecoar pelos próximos filmes dessa nova trilogia.

Star Wars: O Despertar da Força começa com o pé direito essa nova fase. Apresenta o universo aos novos fãs e respeita os fãs antigos. E tudo isso com muita qualidade! Que venha o episódio VIII!

Related posts

One thought on “Crítica: Star Wars – O Despertar da Força | Neurônio Nerd

  1. Gideão Jr.

    Olá Jean, ótima crítica e textos no NN, continue assim. =)

    Assim como todo viciado em Star Wars, tenho alguns adendos.
    Ao contrário do que muito se fala, nas prequels foram utilizados muitas locações reais (Tattoine nos ep 1 e 2 – incluindos os cenários originais do Ep 4-, castelos na Itália e Espanha para Naboo, florestas no Reino Unido para Naboo, China e Tailandia como Kashyyyk entre outras), assim como foram feitas e utilizadas inúmeras marionetes, animatronics e robôs, e também cenários construídos fisicamente com retoques digitais posteriores (escritorio Palpatine, apartamento Padmé, oficina Anakyn etc.). Enfim muito se fala quanto ao exagero digital das prequels, as quais eu concordo em partes, porém entendo que nessa época George Lucas estava tentando ser inovador ao utilizar cameras totalmente digitais e “revolucionar” mais uma vez assim como já havia feito anteriormente. Enfim, os cenários das prequels são MUITO mais ambiciosos do que o Ep 7, não acho que teriamos uma visão melhor de Coruscant, Kashyyyk, Naboo, Mustafar entre outros planetas sem esse “exagero” digital, foi necessário para as ideias, e na época foi realmente crível, claro que o fato de CGI ser temporal atrapalha e muito com a tecnologia que temos hoje. Concordo que se deveriam utilizar muito mais recursos físicos para aumentar a clareza visual, porém com um porte da galáxia de Star Wars são necessários cenários mais “fantásticos” também, por sinal o que senti muita falta no Ep 7.
    Concordo que o Ep 7 foi realmente fantástico e praticamente perfeito, porém não senti a mesma coragem e audácia que os originais e as prequels me transmitiram. Estou muito empolgado com o futuro da saga e não vejo a hora dos próximos episodios e spin offs. Curti muito as escolhas dos novos diretores e roteiristas, e os novos personagens incríveis.

    Que a Força esteja conosco!

Leave a Comment