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A Bússola de Ouro [Livro X Filme]

O livro “A Bússola de Ouro”, primeiro livro da trilogia intitulada “Fronteiras do Universo”, de Phillip Pulman, nos apresenta  Lyra Belacqua, uma menina de 12 anos que vive na cidade de Oxford, Inglaterra, na Universidade de Jordan. Mas não exatamente como Oxford em nosso mundo, e sim, aparentemente em um dos milhões de universos paralelos que existem. Nesse universo, as pessoas têm dæmons, uma parte do ser manifestada fora do corpo, como se fosse a alma da pessoa projetada em forma de um animal. A primeira vista, esse livro, lançado em 1995, pode parecer uma fantasia comum para adolescentes, porém, mostra-se uma obra muito mais densa e profunda, abordando temas como religião, ciência e espiritualidade.

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A escrita do autor é extremamente confortável e fluida, que faz o livro ser dinâmico e divertido para o leitor, além de deixa-lo preso no enredo a cada final de capítulo. Além disso, a forma em que o autor apresenta os mistérios e segura as respostas até praticamente as ultimas páginas torna quase impossível o leitor não ficar curioso.

Devo confessar que assisti o filme, de 2007 dirigido por Chris Weitz, antes de sequer saber da existência do livro. Ao contrário da maioria das pessoas, eu achei o filme divertido e visualmente muito atrativo, pelo menos até a metade.

A obra perde a constância da metade pro final, que se torna extremamente insatisfatório. Entendo que a ideia na época era fazer um final em aberto, que deixasse um gancho para o próximo filme, porém o fato do filme acabar logo após uma sequencia de cenas de ação, deixou a impressão de ter acaba “do nada”.

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A que torna o livro tão surpreendente e mágico, na minha opinião, é o fato de abordar temas profundos relacionados à crenças e à alma humana de forma fantástica e cheia de aventura, além de deixar diversos questionamentos para o leitor refletir.

Até mesmo os acontecimentos ao decorrer do livro, mesmo sendo, em alguns momentos, lento e misterioso até demais, são divertidos de acompanhar, misturado com o suspense e a fantasia muito bem construída e desenvolvida.

Ao comparar o filme com o livro fica extremamente visível que o filme se trata de uma obra inteiramente de entretenimento, visto que toda carga reflexiva, filosófica e religiosa presente, principalmente no final do livro, foi deixada totalmente de fora. Os acontecimentos são apresentados de forma mais rápida com o objetivo de deixar o filme mais dinâmico, porém a retirada de cenas importantes, a mudança na ordem de alguns acontecimentos e a falta de explicação pode irritar amantes do livro e confundir quem for assistir apenas o filme.

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É impossível pensar na análise dos personagens de A Bússola de Ouro e não se lembrar de alguns extremamente carismáticos como Lorde Asriel e Iorek Byrnison. Mas vamos do começo com a personagem principal Lyra Belaqua. Lyra tem uma personalidade forte e se mostra muito curiosa e aventureira, aspectos que foram retratados muito bem na adaptação. É muito interessante acompanhar a história do ponto de vista de Lyra que, ao mesmo tempo que mostra comportamentos e pensamentos infantis, também tem seu lado questionador, intelectual e independente.

Alguns personagens como a Sra. Coulter, no filme perderam um pouco da personalidade construída nos livros, entregando muito dos mistérios relacionados ao caráter a às intenções dela. Isso tudo através de uma atuação que revelava de cara a índole do personagem.

Um personagem muito querido nos livro e que conseguiu manter constante o carisma na adaptação é o urso de armadura Iorek Byrnison que, ao meu ver, acabou chamando mais atenção os filmes por conta do apelo visual e da maior participação nos eventos.

Em se tratando de Lord Asriel, pelo fato de eu ter assistido o filme primeiro, eu achei o personagem interessante e de certa forma carismático, mesmo tendo pouquíssimo tempo de tela. Porém, após ler os livros eu percebi que o personagem tem uma profundidade e importância muito maiores do que retratado na adaptação além de uma personalidade muito peculiar e muito mais interessante do que no filme.

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Conclusão sobre A Bússola de Ouro

Acredito que tanto o livro quanto o filme funcionam muito bem, porém para públicos diferentes e com objetivos diferentes. Enquanto o livro aborda temas profundos e filosóficos de uma forma lenta e misteriosa, dando muita importância ao enredo, o filme aborda a história focando no entretenimento, dando mais visibilidade a personagens divertidos e enxugando a personalidade de personagens mais complexos, além da própria história, compensando apenas no visual e um pouco nos efeitos especiais.

 

 

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