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Crítica: Mulher-Maravilha

A saga de produção do filme da Mulher-Maravilha foi quase uma odisseia. Há anos a Warner tentava levar a sua heroína para as telas. Tinha projetos para a Tv e para o cinema, mas nada se concretizava. Até que pressionada pela necessidade de criar e estabelecer o Universo DC nos cinemas e correr atrás da Marvel, a Warner se viu obrigada a trazer para as telas a Mulher-Maravilha.

Primeiramente, como uma participação no filme “Batman vs Superman: a origem da justiça”, onde ela simplesmente rouba a cena nos momentos em que aparece. E a trilha tema da personagem de cara ficou muito marcada para o público.

Então, ainda rodeado de incertezas, chegou o filme solo da Mulher-Maravilha, carregando nas costas todo o peso e a responsabilidade de não apenas ser um filme bom, como também salvar a DC nos cinemas. Vindo de um Batman vs Superman morno e um desastroso Esquadrão Suicida, mais um erro e o próprio filme da Liga da Justiça já chegaria desmoralizado no cinemas…

A direção ficou a cargo de Patty Jenkins, uma acertada escolha do estúdio. Ela não possuia muito experiência além do longa-metragem “Monster: desejo assassino” (2004) e da direção de episódios da série The Killing. Mas convenhamos que Monster já valia por toda a bagagem: o filme na época arrematou muitos prêmios ao redor do mundo e deu a Charlize Theron o Oscar de Melhor Atriz.

A mão de Zack Snyder na produção pode ser notada em alguns momentos, no slowmotion (aqui usado com moderação e quando é bem-vindo) e também nos momentos de flashback na primeira parte do filme, quando a história das amazonas é contada; ali tive a impressão de sentir um toque gráfico como o de “300”, dirigido pelo Snyder.

A necessidade de coesão visual do universo DC também faz que Mulher-Maravilha carregue, por exemplo, a mesma paleta de cores de Homem de aço e Batman vs. Superman. Mas as semelhanças com outros filmes dessa atual fase da DC acabam por aí.

A jornada do herói

Mulher-Maravilha opta por um campo seguro quando se fala em estrutura narrativa, e parece ter encontrado algo próximo a uma “Fórmula” da DC. Ironicamente, não é nada novo: o filme segue os passos da “Jornada do Herói”, descrita por Joseph Campbell no seu livro “Herói de Mil Faces”, onde ele apresenta um padrão narrativo comum a muitos mitos e lendas humanas, chamado de “Monomito”.

Por um outro lado, a segurança da estrutura narrativa serve a Patty Jenkins não como um limitador, mas como base para ela inserir um tempero próprio à narrativa. E desse modo Mulher-Maravilha torna-se um filme provocador, evocado através do confronto de Diana com a sociedade dos homens.

Longe da instabilidade e confusão narrativa dos filmes anteriores do universo do qual faz parte, Mulher-Maravilha se desenvolve com muita naturalidade. Sua ação é muito bem executada, com intervalos de respiro, com momentos de drama e humor. Talvez a montagem peque em alguns breves momentos com uma esquisita continuidade entre um plano e outro, mas são pouquíssimos momentos, bem pontuais, e que de forma alguma atrapalham a experiência; eu que sou chato, pra falar a verdade.

É difícil de imaginar que outra atriz se encaixaria tão bem e tão naturalmente ao papel de Mulher-Maravilha. Gal Gadot trabalha visivelmente com paixão, com empolgação, e se entrega ao filme. Chris Pine também joga bem o jogo e consegue na maior parte do tempo permanecer em pé sem ser engolido pela predominância de Gal Gadot, embora o Steve Trevor de Chris lembre muito outros personagens do ator.

Dirigido por paixão por Jenkins, com boas doses de ação, aventura, drama e humor, Mulher-Maravilha é sem dúvidas o melhor filme da DC desde O Cavaleiro das Trevas de Nolan. O melhor filme de heroína já feito e uma salvação para a Warner e seu DC cinematic universe.

Que venha Liga da Justiça, que o filme seja bom, mas espero que esse universo não fique apenas nas costas da Mulher-Maravilha. Ela é uma deusa, mas neste caso não fará milagre.

Assista ao trailer:

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