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Críticas Séries 

House of Cards – Crítica da 5ª temporada

House of Cards é sem dúvidas a menina dos olhos da Netflix. E motivos para isso não faltam: Foi a primeira série própria do serviço de streaming e já chegou sendo indicada a dezenas de prêmios no Emmy e no Globo de Ouro e ganhando parte deles, mantendo ao longo dos anos o namoro com o público e a crítica, e assim mantendo os lucros da Netflix.

A minha percepção é que na parte final da 4ª temporada, House of Cards começou a demonstrar sinais de cansaço. É mais ou menos por volta do 5º ano de toda série bem executada, que começam a surgir sinais de cansaço na estrutura narrativa, e é onde parte delas se encerra logo a seguir por infelizmente se arruinar ao insistir no mesmo, ou então muda o rumo do barco para desbravar novos mares e garantir sua sobrevivência. House of Cards soube muito bem qual das alternativas escolher.

Os EUA de cabeça para baixo

A 5ª temporada continua sendo produzida por David Fincher e Kevin Spacey, que divide o protagonismo da série com Robin Wright, todos excelentes. Numa continuação direta da temporada anterior, os EUA vive à sombra do terrorismo de um grupo radical islâmico (ICO, a versão ficcional do Estado Islâmico) que tem braços dentro do próprio solo americano. Enquanto isso, ocorre a acirrada disputa presidencial entre Francis Underwood, o experiente e manipulativo político, contra Will Conway, o galante governador de Nova York, que além de ser um suposto herói de Guerra também tem uma família digna de comercial de margarina.

A série explora as falcatruas dos candidatos (muito mais dos Underwood, claro) para chegar ao poder na corrida presidencial, mas House of Cards me surpreendeu ao enveredar por outros caminhos, que embora sejam reflexo das eleições presidenciais, nos levam a reviravoltas dignas de Brasil – a série política da vida real que todos nós gostaríamos que fosse cancelada.

A Quarta Parede

Tecnicamente impecável, a série aposta na força de seu roteiro e nas atuações para manter a chama acessa. E sabe que para isso seria necessário virar a mesa. E é isso que ela faz. A final, quando um homem chega ao limite do Poder, como é o caso de Francis, o que mais ele pode fazer? Neste cenário, onde o personagem de Kevin Spacey parece apenas nadar sem rumo para manter-se na dianteira, a Claire Underwood de Robin Wright toma as rédeas em muitos momentos para mostrar que não é apenas a mulher do presidente, quebrando finalmente a 4ª parede e conversando com o público, mesmo que essa “conversa” não tenha sido muito amigável; Claire sabe que nós somos originalmente o público de Francis e por isso não somos tão “confiáveis”.

Novos personagens surgem para trazer frescor à narrativa e cercar os Underwood de mais aliados e inimigos. Mais inimigos que aliados, diga-se de passagem. No entanto, parece que enquanto Frank se ocupa em driblar os inimigos, Claire está mais ocupada construindo alicerces nas relações com supostos aliados. Mas não devemos subestimar a habilidade manipulativa de Frank. Tampouco da coragem e perspicácia de Claire.

A 5ª temporada desconstrói o casal presidencial de uma maneira bem mais interessante que em temporadas anteriores, e os últimos episódios são sensacionais e surpreendentes. Neste ponto, a narrativa de House of Cards dá uma guinada até então impensada, e o que vemos diante de nós é uma nova perspectiva instigante. A 5ª temporada de House of Cards conseguiu vencer o cansaço, tomar novo fôlego e terminar vigorosa como nunca, com um gancho empolgante. Que venha a 6ª temporada!

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